quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Dolce, dolce Villa


No domingo do meu aniversário, conhecemos um lugar incrível, inesquecível, que nos conquistou em cada detalhe. Já na entrada do Dolce Villa, ficamos surpresos com tanto verde e, ao mesmo tempo, com a delicadeza e o cuidado com a decoração, rústica e aconchegante. Isso talvez seja pelo fato da casa ser comandada por uma mulher, a chef (e jornalista) Lindinha Sayon.


Enfim. Sentamos em nossa mesa ampla e confortável, e logo recebemos um super bem apresentado couvert (R$ 6,00 por pessoa). Os pães, frescos e quentes, vem em uma espécie de torre, acompanhados de 5 potinhos, com manteiga, pasta de ricota e ervas, cebolas carameladas, tomate com uvas passas e patê de foie. Delícia, delícia!

Na sequência, escolhemos o vinho: um refrescante Riesling Dopf Cuvée Europe Reserve (R$ 112,00). Desceu muito bem com os “eleitos” do dia.


O cardápio, cheio de opções de deixar qualquer glutão tonto e faminto, nos atraiu para uma acertada entrada: salada verde com crocantes de queijo de cabra e peras (R$ 25,30). Hmmm, perfeita com o vinho geladinho. Depois de tanta festa e comilança, lembramos que ainda tínhamos um almoço pela frente. E fomos aos principais...


Luana: Espaguete a bolonhesa de mignon (R$ 28,00, a porção de 70% do prato): A massa, fresca e fininha, é feita no próprio restaurante e vem com cozimento no ponto exato. O molho de tomate suave e pedaçudo “acolheu” muito bem os pedacinhos de mignon, que poderiam apenas ter vindo em maior quantidade.


Marcio: Magret de canard com molho de amoras e risoto de búfala e hortelã (R$ 56,00): Sem meias palavras, o melhor pato até agora. Ponto perfeito (bem mal passado), capa de gordura mínima e sabor incomparável. Para “piorar” o molho é fantástico e o risoto é muito gostoso, na medida ideal para acompanhar o magret.


Mamãe (convidada especial): Tre gnocchi ao molho suave de alho (R$ 28,00, a porção de 70% do prato): Casa três tipos de gnocchi caseiro (tomate seco, beringela e batata) e agradou muito. O molho, bem leve, deixou tudo de babar. O prato é um dos carros-chefe da casa, e vale experimentar.

Para o final feliz, escolhemos três sobremesas, também feitas pela própria chef, uma mais deliciosa que a outra. Todas a R$ 16,00.



Luana: torta de peras, amêndoas e redução de cachaça, acompanhada de sorvete de chocolate amargo caseiro – Um dos melhores e mais saborosos doces que já experimentei na vida! Sem exageros! Quase levei uma inteira pra casa (o restaurante faz doces sob encomenda), mas achei que seria demais para aquele dia...


Marcio: tarte tatin de maçã com sorvete caseiro de canela – Bem tradicional e caprichada no recheio, assim como a do Le Vin. O diferencial aqui é o sorvete caseiro de canela, que dá um up na sobremesa. Mas, de fato, a da Luana estava sensacional.


Mamãe: torta de frutas do bosque com sorvete de Grand Marnier – A torta, saborosa, só poderia ser um pouco mais molhadinha...

Finalizamos o belo e farto almoço com bons cafés e um chá natural de hortelã. E constatamos, ao final de tudo isso, que o Dolce Villa está na nossa lista de lugares que valem sempre uma visita. Nos sentimos muito bem recebidos, o atendimento é ótimo, a comida muito boa, e ainda existem muitas sugestões no cardápio que queremos provar.

Obs: as fotos não saíram com a qualidade de sempre, primeiro, porque a máquina utilizada no dia tinha capacidade limitada; e, segundo, porque estávamos comemorando, e pouco preocupados com o melhor ângulo, foco, luz, ou coisas do tipo. Desculpaí!

Dolce Villa

www.dolcevilla.com.br
Rua Pedroso Alvarenga, 554, Itaim Bibi. F: 3167-0007.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

C... Que Sabe!


Adoramos uma comida simples e bem preparada. Se vier cheia de história, então, melhor ainda. Para isso, uma das cantinas mais tradicionais do Bexiga pode ser a opção ideal. No nosso caso, sinônimo de tradição, bons preços e comida gostosa, escolhemos a C… Que Sabe para investir numa típica macarronada da nonna.

Lá, a desorganização é tão generalizada quanto essencial. Você encontra, num mesmo salão, enquanto escuta Pepino di Capri e seus contemporâneos, paredes forradas de bugigangas, panelas e objetos de cozinha pendurados pelo teto, crianças correndo no salão, famílias animadas falando tão alto quanto podem conseguir. Sem esquecer do tradicionalíssimo corredor de entrada, com fotos de celebridades que, nas épocas áureas, freqüentavam e prestigiavam o restaurante.


Também convivem em harmonia garçons “das antigas” bem rabugentos e desinteressados e simpáticos tiozinhos, que se apresentam ao vivo, todos os dias no mesmo lugar, há vai saber quanto tempo (décadas, em alguns casos). Ah, claro. O dono da casa recebe cada cliente com sorriso farto, sugestões do cardápio, calor humano. Muito legal!


Tarde da noite e em meio àquela zona toda, pedimos um couvert (pão italiano, manteiga, sardela – R$ 7,00 por pessoa), seguido da deliciosa beringela à parmeggiana da casa.


Para rebater, uma farta porção de fusilli caseiro ao molho ragú (napolitano com iscas de filé – R$ 55,00). O prato serve tranquilamente duas pessoas cheias de apetite, como nós.

Paramos por aí. A carta de vinhos, além de pouco atraente, nos deixou na mão. Três de nossas escolhas estavam em falta. As sobremesas, por sua vez, também não fogem do convencional de uma cantina antiga. Pudim, mousse, cassata... Fica pra próxima.

Com todos os “defeitos” ou “falta de glamour” que o restaurante pode exibir, estar num ambiente tão familiar, tradicional e que, ainda por cima, serve pratos variados e honestos é uma ótima, sempre. Recomendamos para quem quer comer bem (quantidade e qualidade comandam por lá), viver algum tipo de nostalgia ou passar horas divertidas em família ou entre amigos. Afinal, não é apenas em restaurantes caros, modernos e cheios de dedos que podemos viver momentos memoráveis.

C... Que Sabe
http://www.cantinacquesabe.com.br
Rua Rui Barbosa, 192 , Bela Vista. F: 3251-2574.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Clericó


Uma das bebidas mais festejadas no Uruguai (e, pelo que ouvimos dizer, também na Argentina), conquista os brasileiros que passeiam por lá, com seu frescor e gostinho de verão. O Clericó (esse da foto, delicioso, do imperdível Ché Montevideo) é feito com vinho branco, muitas e variadas frutas e um pouquinho de suco cítrico (pode ser limão, pomelo e, na maior parte dos casos, laranja mesmo). Eles estão em praticamente todos os bares e restaurantes, e são a melhor pedida para dias de praia, sol e mar. Aqui no Brasil já existem lugares que oferecem o Clericó, mas bem que a moda podia pegar e se alastrar...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Um lugar que não existe


Com um slogan enigmático, o Lagundri Bistrô – "Um lugar que não existe" parece pretensioso. Depois de um jantar perfeito, num ambiente encantador e irretocável, a chamada portentosa faz todo o sentido.


Tudo lá é bonito, confortável e convidativo. Ao entrar, você se vê em um ambiente perfeito, quase cenográfico. Jardins de inverno, riacho artificial sob um deque de madeira, onde é possível apreciar iguarias da culinária tailandesa, vietnamita, chinesa, entre outras, sentado em confortáveis almofadas e iluminado por imponentes luminárias chinesas. Ainda há o enorme buda de madeira, a sala do narguilé, passarinhos cantando nos banheiros (onde as pias são cascatas). Sim, o Lagundri é um pedacinho do paraíso. Sorte de quem está em Campinas ou Curitiba e pode viver essa experiência, ainda não sentida em São Paulo – capital.


Enfim, numa noite muito quente, lá em Campinas, fomos jantar no bistrô asiático. Agora, compartilhamos nossas impressões com vocês.

O atendimento é discreto, atencioso e “sempre presente”. Jovens bonitos, charmosos e educados compõem o time.

O cardápio é enorme, e separa os drinques e comidas pelas regiões asiáticas nas quais foram inspirados. Fotos lindas também enfeitam a carta.


Começamos com o Banda Aceh (espumante Mumm cuvée, morangos frescos e licor perfect amour – R$ 14,50). Refrescante, delicioso! Como deve ser um drinque: sem muitas frescuras, sem abuso de açúcar, com gostinho de álcool aparecendo – por favor!

A outra bebida: Pulau Bacardi (rum, limão, suco de pera, gelo e manjericão – R$ 15,50). Muito refrescante e nem um pouco aguado, ótimo para dias quentes e companhia ideal de comidas condimentadas.


De entrada, fomos de Chiang Mai (R$ 21,50), espetinhos de carnes de camarão, porco e frango moídas, que levavam também um pouco de pimenta e capim limão. Muito gostosos, picantes e diferentes. A gente, claro, acha apenas que deveriam vir em maiores quantidades – gulosos!


Para os principais, um delicioso acompanhamento: Nocturno Demi Sec (R$ 49,00), espumante argentino muito leve e agradável. Uma boa surpresa, pelo sabor e pelo custo x benefício.

[Principais]


Luana: Gado Gado - legumes puxados na wok com pedaços de mignon ao curry de amendoim, acompanhado de arroz thai e farofinha de amendoim (R$ 30,50). O curry estava no ponto, os legumes crocantes e al dente, a carne, bem, era filé mignon, né?, e a farofinha por cima de tudo me levou ao céu!


Marcio: Lamb Krapaow - carré de carneiro, preparado em marinada com saquê, molho de ostras e pimenta do reino, servido com arroz thai e ervilhas tortas (R$ 45,00). O carré veio no ponto exato, suculentíssimo, e a marinada faz a carne ficar muito macia e deliciosa. Para completar, o arroz thai e as ervilhas contrabalanceiam o sabor do carneiro. Um prato sensacional, completo e recomendável sem ressalvas.

[Sobremesas]


Taj Mahal: biscuit levemente picante feito de paçoca e coberto com terrine de manga (R$ 16,50). Gostosinho, mas nada de espetacular. Poderia se beneficiar de uma bola de sorvete.


Pulau Bawa: rolinhos primavera recheados de banana picante, com calda levemente picante de especiarias, acompanhados por sorvete artesanal de coco e banana (R$ 16,50). Essa é muito boa, os rolinhos são bem crocantes, o recheio é fantástico, e a combinação da calda picante com o sorvete é fatal. Inclusive, o sorvete é tão bom que perguntamos a respeito de seu fornecedor, e descobrimos ser de uma modesta sorveteria local, a Colorê. Luana diz: Inacreditável, passei minha infância sem saber o potencial da lojinha discreta perto da minha casa!!!

Mesmo com drinques, duas sobremesas e “champanhe”, a conta não saiu tão absurda como em alguns restaurantes badalados de São Paulo. Ficamos bem satisfeitos por encontrar a casa em Campinas, que ainda não é uma cidade referência em gastronomia no Brasil.


Lagundri Bistrô
Rua Sampainho, 58, Cambuí – Campinas. F: 19 3251-0719.
http://www.lagundri.com.br/

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Eat like Obama


Aproveitando a posse e as expectativas em torno do novo presidente americano, Barack Obama, a Food & Wine Magazine publicou um slide show com sugestões de receitas de pratos ditos como favoritos do presidente. As fotos são bacanas, e as receitas parecem ótimas.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Papas Gramajo


Uma verdadeira bomba de calorias e gorduras é também uma das “picadas” (porções) mais pedidas pelos bares do Uruguai. As Papas Gramajo são batatas fritas cortadas em palito e servidas com muito bacon, presunto, ovos estalados, cebola, salsinha... E, às vezes, outras coisinhas assim, super saudáveis, de acordo com a criatividade do cozinheiro.

Apesar de assustar quem tem problemas de colesterol, sobrepeso e etc., vale a pena experimentar. Garantimos que o negócio é bom e alimenta. Muito bem, aliás. E desce perfeitamente com uma Pilsen gelada.

Como não temos a preciosidade no Brasil (ao menos, que saibamos), a dica é preparar em casa, usando salsinha picada, cebola em rodelas, presunto em cubinhos, ovos mexidos...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Trio de brulées


E não é que foi no Uruguai que encontramos os mais diferentes e gostosos Crème Brulées que já provamos?

A foto já mostra a belezura do Trio de Brulées do Bar Tabaré, um dos endereços mais charmosos de Montevidéu. Sabores: limão, laranja e pomelo (grapefruit e, no Brasil, toranja - que detestamos e, infelizmente, deixamos de lado).

Para quem se interessou, o bar também tem drinks perfeitos e ótimas "picadas para compartir". Se pretende visitar, dê uma sacada no site: http://www.bartabare.com/.

Estamos, inclusive, pensando em sugerir a algumas casas seletas de São Paulo para apostar num trio como esse... Seria um sucesso!

CHIVITO - O sanduíche típico uruguaio


Sabe nosso churrasquinho com queijo, lingüiça com vinagrete, ou lanche de pernil? No Uruguai, o lanche típico, presente em praticamente todas as lanchonetes e dinnings do país é o Chivito.

Trata-se de um suculento e fininho bife (geralmente de mignon, mas podendo variar entre frango e entrecot, também), guarnecido com alface, tomate e maionese, dentro do pão de hambúrguer.

Esta, claro, é a versão mais comum do lanche. Na foto, o também típico e adorado Chivito Canadense. Neste, além dos itens “comuns”, presunto, bacon, ovo e pimentões entram na dança, além de batatas fritas ou salada russa (maionese de batatas, ervilhas e cenoura) – em alguns casos, as duas – acompanhando.

Será que em São Paulo já existe algum lugar que prepare os deliciosos lanches? Se alguém aí tiver notícias, avise!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Só no Uruguai III – Tannat

Meio escondido no centro de Montevidéu se encontra o Tannat, pequeno restaurante com toques contemporâneos, que esbanja inventividade sem exagerar nas afetações. O lugar é discreto e elegante e, infelizmente, vazio demais para uma noite de sexta-feira. Ainda assim, fomos conferir e não saímos nada decepcionados.

Para começar, o couvert é tão simples quanto gostoso. Uma porção de bolachinhas acompanhadas por um patê de queijo de cabra, bem suave. Atrasados também chegaram pãezinhos quentes e gostosos.

O cardápio é enxuto e conta com carnes, massas e risotos. Pedimos entrecot ao molho de Tannat, acompanhado de folhas com mix de cogumelos; e medalhões de mignon (lomo), servido com uma diferente e gostosa torre de risoto de cogumelos com Tannat e suflê de queijo. Os pratos estavam perfeitos, equilibrados, e impressionaram pela apresentação criativa e impecável.


Uma curiosidade é que a casa só serve vinhos uruguaios, e tem uma vasta carta. Porém, erramos na escolha. Um Sauvignon Gris Filgueira, bem sem personalidade e meio aguado. Uma pena, já que todo o resto estava bem bom.


A sobremesa foi um caso à parte. O carro-chefe da casa é um sorbet de Tannat, acompanhado de mascarpone, frutas vermelhas, e servido com uma dose de licor de Tannat. Uma combinação muito legal e diferente, que fechou perfeitamente a refeição.


O melhor: a conta para duas pessoas, com tudo o que foi descrito acima, ficou em torno de R$ 150. Bem mais tranquilo que em São Paulo…

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

AMAMOS vinhos brancos!


Interessantíssima a matéria da revista ADEGA sobre nossos mais do que adorados vinhos brancos. Pra quem ainda não se convenceu, aqui está:

Dez motivos para gostar de vinhos brancos
Se você é daquelas pessoas que só bebe vinhos tintos, está na hora de rever seus conceitos. ADEGA lhe ajuda a fazer isso

por Marcelo Copello

Várias vezes já ouvi a frase: “Não entendo muito de vinho, mas uma coisa eu já aprendi: vinho bom é vinho tinto”. A afirmação é um lamentável equívoco. O pouco prestígio que os vinhos brancos ainda gozam no brasil é um fenômeno incompreensível para a maioria dos produtores estrangeiros que visitam o País. Afinal, nosso clima é majoritariamente tropical e os peixes, frutos do mar, frutas e saladas têm papel importante em nossa culinária.

hoje a oferta de brancos importados já é grande, com qualidade, preço atraente e diversidade. O consumidor já reconhece isso e aos poucos os caldos amarelos entram na moda, embora ainda exista muito preconceito. Esta “brancofobia” só pode ser entendida com uma análise do histórico da evolução do nosso mercado.

Nos anos 70, a mania foi o rosado português Matheus Rosé, frisante e semi-doce. Nos anos 80, dominaram os alemães e pseudo-alemães da garrafa azul, cuja intensidade do consumo foi inversamente proporcional à qualidade. Como conseqüência, associou-se qualquer vinho branco àqueles caldos açucarados intragáveis.

Atualmente estão em voga os tintos super-encorpados, super-alcoólicos, super-madeirados e, muitas vezes, também super-caros. Todavia, os verdadeiros amantes do nobre fermentado não se dividem em bebedores de vinhos tintos ou brancos. São apenas apreciadores de produtos de categoria. E ela não se exprime na cor do vinho, mas sim na qualidade intrínseca ao líquido, dentro de seu estilo.

A primazia dos tintos chegou ao extremo de motivar alguns vitivinicultores brasileiros a arrancar vinhas de castas brancas para plantar tintas no lugar. Os rubros também contribuem com cerca de 80% do volume dos vinhos de mesa importados para o brasil. Outros fatores que explicam a preferência pelos tintos são: a pouca oferta de brancos nacionais de bom nível e a associação dos tintos à saúde.

ADEGA, como sempre, esclarece de maneira simples, informativa e objetiva. Elencamos dez motivos e dicas para você descobrir e melhor apreciar os vinhos brancos:

1. Clima: Na maior parte do brasil, na maior parte do ano, a temperatura pede vinhos mais refrescantes, mais leves ao palato e a digestão e servidos a temperaturas mais baixas.

2. Saúde: que nossa bebida favorita faz bem, sobretudo os tintos, sabemos. Mas isto não deveria ser um argumento para o abandono dos brancos. Não esqueçamos que o “paradoxo francês” (baixo índice de problemas causados pelo colesterol em um país de alto consumo de gorduras saturadas) vem da nação que produz os maiores brancos do mundo. quem quiser uma justificativa para se conceder o prazer dos vinhos brancos, já tem: recentemente, cientistas do departamento de anatomia humana da universidade de Milão comprovaram que substâncias contidas nos brancos reduzem a tendência a doenças como artrite reumática e osteoporose.

3. gastronomia: Na hora de harmonizar vinhos e pratos, os brancos são bem mais versáteis e combinam com uma gama muito maior de pratos. O tanino dos tintos pode ser um fator complicador, pois pode “brigar” ou se sobrepor a uma série de ingredientes e receitas, o que não acontece com os brancos. Além de saladas, frutos do mar e doces, os brancos são ideais com: aspargos, choucroute, cozinha chinesa, cozinha japonesa, cozinha tailandesa, curries, escargots, foie gras (escalope e terrine), rãs. Conforme a receita, também podem ser a melhor escolha para o risoto, pato, vitela e presunto cru, por exemplo.

4.“Queijos e Vinhos” e Fondue: Na hora do seu “queijos e vinhos”, os brancos também são mais versáteis, pois combinam com uma gama muito maior de queijos. Para as receitas de fondue de queijo, em geral, os vinhos brancos estruturados e com boa acidez, como o Riesling, são os mais indicados.

5. Serviço correto: Apreciar um bom branco exige um serviço correto. Taças ovaladas são importantes para valorizar os aromas do vinho, e a temperatura certa é fundamental para que ele mostre seu frescor. quem prova brancos quentes tem todo motivo para não gostar deles. Temperatura para servir: cerca de 6ºC a 8ºC os brancos doces (Sauternes, Moscato, Tokaj); de 8ºC a 10ºC os brancos suaves e alguns brancos secos (gewurztraminer, Vinho Verde, Muscadet, Vouvray, Sancerre, Orvieto, Chanin blanc); de 10ºC a 12ºC os brancos mais secos (borgonhas, Chablis, bordeauxs brancos, Jerez fino, Riesling, Soave, Verdicchio, Chardonnays e Sauvignon blancs em geral); 12ºC a 14ºC para grandes brancos secos com mais idade.

6. Bom gosto e bom senso: O “bom gosto” a que nos referimos é ter o bom senso de servir o vinho adequado a cada ocasião, a cada prato e a cada ambiente. Sabemos que ir de sobretudo à praia, por exemplo, ou dormir de smoking, ou ir de biquíni à opera no Theatro Municipal está fora do bom senso. Assim é com o vinho. Cada tipo de vinho tem seu momento, a sua hora. Para quem pede tinto sempre, independente do prato ou da ocasião, experimente um bom branco na hora certa e faça o teste.

7. estilos: Existe uma ampla gama de vinhos brancos para vários paladares e várias ocasiões. Podem ser doces, meio-doces ou secos; florais, frutados, barricados (fermentados em madeira e, portanto, com aromas de baunilha, tostados etc); leves ou encorpados. Como exemplos de brancos leves, podemos citar: Vinhos Verdes, Sauvignon blanc, Pinot grigio, Torrontés e Chablis AOC. Entre alguns mais encorpados estão: vinhos barricados (fermentados em madeira) em geral, Rieslings, Chardonnay, Alvarinhos (alguns são barricados), brancos do Rhône (Chateauneuf-du-Pape, Condrieu), Chablis grand Cru.

8. Brancos de guarda: é verdade que como regra geral brancos não envelhecem, mas existem muitas exceções. bordeaux de maior estirpe, borgonhas e Chablis 1er Cru e grand Cru, os melhores Rieslings de vários países, Sémillons australianos do hunter Valley, são brancos que podem viver mais de uma década sem problemas e lhe dar grandes alegrias na hora de apreciá-los. Os vinhos doces em geral são bastante longevos e vivem décadas.

9. A cara do Brasil: O vinho branco combina não apenas com nosso clima, mas também com o temperamento expansivo da população, o que sugere uma maior afinidade com a fragrância dos brancos do que com os tintos mais sérios e cerebrais. é um dos caminhos para o aumento de consumo desta bebida no brasil.

10. diversidade: um dos maiores encantos do vinho é sua diversidade. Normalmente, quem gosta de vinho gosta de experimentar e está sempre em busca de novos sabores. Para quem só degusta tintos, conti-nue a apreciá-los, mas dê uma chance aos brancos, pois abdicar deste estilo é abrir mão de uma grande parte da produção mundial desta bebida, de muitas descobertas e bons momentos.

Só no Uruguai II – Pizza com fainá e milanesas à perfeição


Algumas coisas você só encontra no Uruguai. Um exemplo são as pizzas uruguaias, bem distintas das brasileiras. Têm pouco recheio (e poucas combinações) e, não raro, são quadradas. Agora, o que é realmente único: o hábito da população local, que as come acompanhadas de fainá, uma massinha assada de farinha de milho que tem gosto parecido com polenta. Coloca-se uma fatia de fainá por cima de uma fatia de pizza, e nhac! É diferente, improvável, mas, depois da experiência, dá vontade de tentar fazer em casa…

Outro clássico regional são as milanesas – bifes finos, macios, grandes e crocantes. Aparentemente, a galera não fica sem, já que encontramos tanto em botecos quanto em restaurantes finos. Na viagem, provamos uma bela milanesa ao molho de cogumelos, acompanhada de batatas noisette (do Don Peperone). Porém, o mais comum é pedir uma “milanesa de lomo con puré de papas”.


Outras variações são possíveis (com fritas, dentro do pão, com salada, de vaca ou frango, etc.), e todas em conta! As milanesas são tão parte da vida dos uruguaios quanto nosso arroz com feijão.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Só no Uruguai – “A” panqueque de dulce de leche


Apesar do nome de pizzaria infame, o Don Peperone é uma verdadeira “instituição gastronômica” em Montevidéu. E é lá que se encontra a melhor panqueca de doce de leite conhecida pelo ser humano. Massa polpuda, casquinha fina de açúcar queimado e todo o doce de leite (do melhor, diga-se de passagem) que alguém pode querer numa sobremesa. Imperdível.

Para quem não se emocionou, lá existe um cardápio só de tortas doces, todas gigantescas, deliciosas e com tudo o que uma criança precisa para crescer saudável: chocolate, doce de leite, chantilly, marshmallow, caramelo e etcs. E também sorvetes, flans, panqueca de maçã ao rum, mousses…

*No Brasil, é possível encontrar panquecas de doce de leite gostosas (mas não tanto quanto essa) nos restaurantes típicos El Tranvía e 348 – Parrilla Porteña.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Voltamos!


Sim, estamos de volta – e saudosos desse nosso pequeno, mas querido, espaço!

Essa linda foto que abre o post é de La Paloma, uma belíssima praia do Uruguai.

Passamos ótimos dias de sol por lá, conhecendo lugares bárbaros, descansando e aproveitando as férias e o ócio total. E também encontrando idéias, dicas e comidas/ bebidas típicas para atualizar o blog.

Assim, os leitores que por acaso quiserem conhecer o país hermano terão algumas dicas de o que e onde comer/beber. E, mesmo os que quiserem continuar por aqui, também poderão se divertir e aproveitar vários destes posts. Pois em São Paulo já podemos encontrar a maioria dos produtos consumidos pelos uruguaios; e, os que não são conhecidos por aqui, podem ficar ou mesmo ser reinventados, com uma cara mais nossa.



Para começo de conversa, as duas melhores e mais consumidas “cervezas” dos uruguaios: Pilsen e Patrícia. A primeira, mais leve e suave, para ser consumida na praia, piscina e numa roda de amigos. A segunda, encorpada, lembra um pouco nossa Serra Malte, e desce muito bem com um típico “asado”.

A boa notícia: já é possível encontrar essas maravilhas nos melhores supermercados, bares, cervejarias e restaurantes de São Paulo. Se você ainda não conhece e, por acaso, deparar com essas belezuras, não hesite em pedir. Delícias que casam com o verão – lá ou aqui!