quinta-feira, 30 de abril de 2009

Pobre Juan


Já estava decidido fazia tempo: assim que fizesse um friozinho, íriamos conhecer o Pobre Juan de Higienópolis, comer uma boa carne e tomar um tinto caprichado. Finalmente o frio chegou e fomos até a casa cercada de impecáveis jardins que abriga o belo restaurante.


Primeiro nos acomodamos num cantinho do salão e pedimos a carta de vinhos, bastante completa e que apresenta boas opções, em várias categorias de preço. Escolhemos o Tapiz Malbec (R$ 60,00), um Malbec bem típico, de coloração intensa, bastante saboroso e levemente alcoólico, que conversou muito bem com a comida.


Fugimos do couvert (pães e patês) e dividimos uma generosa Cebolla Rellena (R$ 19,00): uma cebola gigante recheada de presunto, queijo e uma pitada de orégano, que é envolvida em papel alumínio e levada às brasas. O bom é que ela serve bem duas pessoas mas não “incha”.


Já familiarizados com os cortes argentinos tradicionais, resolvemos inovar. Experimentamos um dos especiais da casa, o Bife Pampeano (R$ 86,00), corte diferenciado do Ojo de Bife. A carne, deliciosa, não poderia estar melhor. Desmanchava de tão macia, salgada igualmente em toda a sua extensão e o ponto estava nada menos do que perfeito. As papas souflé a provençal que acompanhavam estavam apenas corretas. Mas precisavam de muito mais alho.


Logicamente não íamos passar sem sobremesa. Pedimos uma porção dobrada de Mil folhas recheado de doce de leite argentino Havana (R$ 15,00 cada). Mesmo sem provar as outras, dá pra falar com uma boa margem de segurança que o doce é imperdível.

Antes de sair, pedimos a um dos garçons para agradecer o parrillero, que havia sido a estrela do nosso jantar, e descobrimos que ele foi tirado da filial do Itaim, para que comandasse a churrasqueira em Higienópolis. Azar de quem frequentava a versão original.

Outra dica é conferir, no site, a programação musical. Dependendo do dia, a música ao vivo pode se tornar malinha – mas não chegou a ser indigesta, no dia da visita.


Pobre Juan
www.pobrejuan.com.br
Rua Tupi, 979, Higienópolis. F: 3825-0917.

domingo, 26 de abril de 2009

O que (DIABOS) aconteceu com o Viva México?

Até poucas horas atrás, o Viva México era nossa referência de bons tacos, burritos, frijoles refritos e tantas outras delícias mexicanas. Mas depois da jantinha de hoje, nos vimos obrigados a rever nossos conceitos. Começamos com duas tortillas de frango que estavam péssimas. A massa encruada e o recheio de frango parecia ter sido pescado de uma canja velha. Totalmente com o pé atrás, resolvemos dar mais uma chance e pedimos um burrito de carne para dividir... só pra tomar outro tapa na cara. Tortillas massudas e encruadas como antes, recheio sabor-artificial-tripla-acidez-estomacal e, para coroar, o chili era feito de feijão com molho enlatado. E só.

Corremos pra pagar a conta no balcão e tivemos uma última tristeza: na cozinha, pacotes de Doritos sabor queijo abertos que, obviamente, não eram do lanchinho dos funcionários, e seriam servidos para os próximos incautos que entrassem no restaurante, por um precinho tão salgado quanto o salgadinho.

Alguém sabe o que aconteceu por ali? Perguntamos ao funcionário com quem acertamos a conta, e ele garantiu que nada havia mudado por lá - nem o cozinheiro, nem o dono... Estranho demais.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Buttina


Visitamos várias vezes o Buttina. O lugar, lindo e bem pensado, tem um jardim coberto por jabuticabeiras dividindo espaço com uma área fechada moderninha, cheia de paredes coloridas e gravuras. Os antepastos, bem feitos, e os vinhos com preços em conta também ficavam na memória, assim como os doces, caseiros e divinos.



Porém, num almoço despretensioso de final de semana, tivemos uma surpresa inglória. Nossos pratos principais, Papardelle al ragu (R$ 34,90) e Fazzolletti com molho de queijos e gergelim (R$ 35,00), estavam inconcebíveis. A massa, super fina, extremamente cozida, se espatifava a cada garfada. O recheio saía sem ser convidado, e o ragú estava mais para um molhinho de tomate sem vergonha com cubinhos ridículos de carne.



Apesar de nosso antepasto preferido, um patê de ricota com manjericão (R$ 10,30), estar gostoso como sempre, e as sobremesas, Gelato crocante e Gelato All’Albicocca (R$ 7,70 cada), fantásticas, a decepção com os principais bateu fundo. E nós, que entre idas e vindas, sempre parávamos naquela casinha simpática em Pinheiros, temos sérias dúvidas se deveremos voltar.


Buttina
www.buttina.com.br
Rua João Moura, 976, Pinheiros. F: 3083-5991.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Oficina de Pizzas


De uns tempos pra cá, entramos numa “febre da pizza” que parece não ter fim. Experimentamos as pizzarias do bairro, demos um pulo na Vica Pota (num dia em que a casa estava cheia de celebridades globais - por isso nem nos atrevemos a tirar fotos) e passamos a fazer visitas regulares à nossa querida Bendita Hora. Numa dessas empreitadas noturnas, acabamos entrando na simpática Oficina de Pizzas, no coração da Vila Madalena.


Graças à experiência adquirida na Bendita Hora, fuçamos a carta de vinhos e tivemos ótimas surpresas. Em primeiro lugar, a carta é boa e bem extensa, e os vinhos, milagrosamente, são vendidos com uma margem de lucro bem mais baixa do que se costuma ver em São Paulo. Sem demora, optamos pelo chileno Los Vascos Sauvignon Blanc (a R$ 48,71), uma delícia de vinho, muito cheiroso e bem seco, par perfeito para as redondas que viriam.


Falando nelas, a escolha foi uma meia Margherita e meia Da Vila (catupiry coberto com calabresa defumada fatiada) - R$ 37,00. Sinceramente, a pizza não é fenomenal e fica facilmente para trás, se comparada com as da Bendita Hora ou mesmo da Vica Pota. Em compensação, ela é bem feita e bastante recheada, o que já vale alguma coisa.


Resumo da ópera, a Oficina de Pizzas é um lugar agradável (mas iluminado demais), onde o atendimento é muito camarada, a pizza é honesta mas, principalmente, é uma pizzaria onde a carta de vinhos é imperdível. Para “piorar”, as garrafas “para viagem” saem ainda mais em conta. Quem opta por esse serviço, economiza em média R$ 10,00 brincando.

Oficina de Pizzas
www.oficinadepizzas.com.br
Rua Purpurina, 517 - Vila Madalena. F: 3816-3749.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Tappo Trattoria

Fãs de longa data do ICI Bistrô e de seu talentoso chef Benny Novak, fomos conferir sua casa italiana, a Tappo Trattoria.

Pequenina, numa das partes mais charmosas da Rua da Consolação, a casa aconchega logo na entrada. Garrafas de vinhos italianos em prateleiras, bar aos fundos, poucas mesas, iluminação bacana – nada de muita luz! Gente fina conversa animadamente, e aí percebemos que, entre as mesas, poderia haver um pouco mais de espaço. Não gostamos de interagir, forçosamente, com a conversa ao lado.

A primeira iniciativa da dupla aqui foi dispensar o couvert, que consiste em fatias de pão italiano e azeite. Resolvemos experimentar as intrigantes entradinhas do enxuto, porém convidativo, cardápio.


Luana: Ravioloni de queijo de cabra com tapenade (R$ 19,00) – A massa, levinha e cozida al dente, estava deliciosa. O queijo de cabra, então, nem se fala. E a tapenade, pra quem não gosta de azeitonas, como eu, superou expectativas. Delícia.


Marcio: Carpaccio Campagnolo (R$ 24,00) – Convencional mas bem feita, a entrada poderia se privilegiar de umas boas lascas de parmesão. Do jeito que ele é servido na Tappo – carne, azeite e três folhinhas de agrião –, não vale o preço.


Consultando a carta de vinhos, constatamos que as garrafas mais em conta e também muito gostosas, estavam em falta. Outra escorregada foi que, na carta de vinhos em taça, constava um vinho e era servido outro (no nosso caso, Montes Alpha por Carmen Reservado). Sem muita opção, e relutantes em tentar um italiano sem muita bagagem no assunto, fomos no certeiro, delicioso e caro Amayna Pinot Noir (R$ 137,00 – ai, meu bolso!).

Na hora dos principais, as escolhas não poderiam ter sido melhores:


Luana: Pasta Alla Norma (R$ 36,00) – espaguete deliciosamente coberto por lascas grelhadas e suculentas de berinjela, cubos polpudos e saborosos de tomates, gominhos de ricota e um toque de pimenta seca. A combinação das combinações! Não vejo a hora de copiar em casa, mas tenho certeza de que não consigo deixar com metade do sabor. Perfeito, pois.


Marcio: Rigatoni con ragú de salsiccia (R$ 34,00) – uma bela porção de massa cozida no ponto perfeito coberta por um delicioso ragú de linguiça toscana fresca. Não poderia ser mais simples ou melhor. É muito gratificante provar um prato rústico tão bem executado. Duro será escolher outro prato na nossa próxima visita.

Empolgadíssimos com tão gostosa refeição, resolvemos nos esbaldar com as sobremesas.


Começamos muito bem, com um cheesecake de queijo de cabra e calda de amoras (R$ 15,00). Fresquinho, leve e, ao mesmo tempo, com aquele sabor indescritível que só o leite de cabra consegue deixar. Pontos extras pela inovação!


Na sequência, dose dupla “DA sobremesa”: Sgroppino, gelado de limão batido com espumante e um toque de vodka (R$ 13,00). Poderíamos passar uma noite inteira nos deliciando com ele...

Mais uma vez, damos uma salva calorosa de palmas ao Benny. Além de simpático e atento (ele visita os blogs e até deixa recados aqui e acolá), conduz com maestria duas de nossas cozinhas favoritas na cidade! A pena é ter que economizar pra poder se deliciar de vez em quando...

Tappo Trattoria
Rua da Consolação, 2967, Jardins. F: 3063-4864.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Descolado até demais...


O hambúrguer (RS 20,20), caseiro, com queijo e alho frito extra, estava bem gostoso. O chope, Brahma (R$ 3,90), no ponto.


Mesmo assim, o Bar Balcão não chegou nem perto de nos comover. O climinha, super alternativo, e a galera, "artistas" e outros descolados, deram uma preguiça... Pra quem gosta, é prato cheio!

Bar Balcão
Rua Dr. Melo Alves, 150, Jardins. F: 3063-6091.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A Polonesa


Em nossa última passagem pelo Rio, pouco pudemos conhecer de novos restaurantes e bares – afinal, os lugares cativos careciam de visita, e não tivemos tempo para outras explorações. Mas eis que um guia da Veja Rio (aquele dos melhores comes e bebes do ano) nos levou até o lugar mais improvável e marcante da viagem: o restaurante sessentão A Polonesa, escondido numa casinha bem no meio da muvuca de Copacabana. Cheio de histórias e clientes de décadas atrás, o local, propriedade de uma família polonesa, é muito simples e, ao mesmo tempo, aconchegante. Sua pouca iluminação, as mesinhas em madeira escura, com toalhas vermelho e branco, e as centenas de referências ao país europeu em cada canto, cada parede (são dezenas de quadros e objetos poloneses), torna o lugar um cantinho especial e único. Do jeito que a gente gosta.


Na entrada, reportagens diversas e devidamente enquadradas de 60 anos atrás até os dias de hoje celebram os pratos do restaurante, o bom atendimento, a manutenção da qualidade até os anos 2000. Não podíamos ver a hora de comprovar!



Começamos com cerveja Bohemia, a única 600 ml brasileira oferecida pela casa, e a melhor vodka de todos os tempos: a polonesa Zubrówka nos conquistou, e nos fez investir bastante do nosso dinheiro em diversas (e deleitáveis) doses. Ai, que coisa deliciosa! Para proteger o estômago de tanto álcool, panquecas de batata com creme azedo. Outra super escolha! As panquecas, gordinhas e bem servidas, eram muito bem temperadas, com cebola e sal na medida. O creme azedo, fresquíssimo, veio em quantidades colossais – formam a dupla perfeita.


Na hora do principal, pedimos o prato que, aparentemente, mais sai na casa. O strogonoff de filé mignon, acompanhado de batatas sautee e arroz branco, serve duas pessoas (que já comeram entrada), e é gostosinho. Apenas isso. Apesar dos ingredientes nitidamente de primeira e da boa quantidade de champignons, o caldo é bem ralinho e pouco marcante, o que para nós é um pecado. Resumindo, é um prato leve – o que, em nossa concepção, não combina com strogonoff. Mas, enfim. Há quem goste.


No final, não podíamos passar em brancas nuvens e ir embora sem conhecer o lendário suflê de chocolate, marca registrada da casa. Existe, inclusive, um ritual para ele: o doce deve ser “encomendado” no momento da chegada no restaurante, e vem com uma labareda de fogo, dentro de uma casca de ovo, enfeitando. Gosto meio duvidoso, não? Se fosse só isso, tudo bem... Mas, apesar de o suflê ter ótima consistência e vir quentinho até a mesa, o chocolate utilizado é de péssima qualidade. Na verdade, não era bem chocolate, e sim achocolatado (só pode). Mesmo assim, não nos arrependemos, por ser um classicão há mais de 60 anos. Afinal, adoramos essas coisas “culturais”.


Apesar de não termos acertado em cheio em nosso principal e sobremesa, A Polonesa já virou lugar obrigatório. Muita história, muita simpatia, diversas opções interessantes no cardápio para experimentar das próximas vezes (sopa de beterraba, filé ao curry, outras panquecas e vodkas que prometem, doces menos “espetaculosos”...). Recomendamos, de coração (sim, porque um lugar desse vale muito pelo sentimento que desperta nas pessoas que ali estão)!

Obs: Excepcionalmente, os posts a respeito dessa nossa passagem pelo Rio virão sem preços. Perdemos nosso bloquinho com as anotações. Os preços da Polonesa ficaram na faixa de R$ 50 por pessoa.


A Polonesa
Rua Hilário de Gouveia, 116, Copacabana. F: 21 2547-7378.